sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
cometa bobagens.. texto copiado de outro blog. desc o autor...
Cometa bobagens!
Não pense demais
porque o pensamento
já mudou
assim que se pensou.
O que acontece
normalmente,
encaixado,
sem arestas,
não é lembrado.
Ninguém lembra
do que foi normal.
Lembramos do porre,
do fora, do desaforo,
dos enganos,
das cenas patéticas
em que nos declaramos
em público.
Cometa bobagens.
Dispute uma corrida
com o silêncio.
Não há anjo a salvar
os ouvidos,
não há semideus
a cerrar a boca
para que
o seu futuro do passado
não seja ressentimento.
Demita o guarda-chuva,
desafie a timidez,
converse mais
do que o permitido,
coma melancia
e vá tomar banho no rio.
Mexa as chaves no bolso
para despertar uma porta.
Cometa bobagens.
Não compre o manual
para criar os filhos,
para prender o gozo,
para despistar os fantasmas.
Não existe manual que ensine
a cometer bobagens.
Não seja séria;
a seriedade é duvidosa;
seja alegre;
a alegria é interrogativa.
Quem ri não devolve
o ar que respira.
Não atravesse o corpo
na faixa de segurança.
Grite para o vizinho
que você não suporta mais
não ser incomodada.
Use roupas com alguma lembrança.
Use a memória das roupas
mais do que
as próprias roupas.
Desista da agenda,
dos papéis amarelos,
de qualquer informação
que não seja
um bilhete de trem.
Procure falar
o que não vem à cabeça,
cantarolar uma música sem letra.
Deixe varrerem seus pés,
case sem namorar,
namore sem casar.
Seja imprudente porque,
quando se anda em linha reta,
não há histórias para contar.
Leve uma árvore para passear.
Chore nos filmes babacas,
durma nos filmes sérios.
Não espere as segundas intenções
para chegar às primeiras.
Não diga “eu sei, eu sei”,
quando nem ouviu direito.
Almoce sozinha
para sentir saudades
do que não foi servido
em sua vida.
Ligue sem motivo para o amigo,
leia o livro sem procurar coerência,
ame sem pedir contrato,
esqueça de ser
o que os outros esperam
para ser os outros
em você.
Transforme o sapato
em um barco,
ponha-o na água
com a sua foto dentro.
Não arrume a casa na segunda-feira.
Não sofra com o fim do domingo.
Alterne a respiração com um beijo.
Volte tarde.
Dispense o casaco
para se gripar.
Solte o palavrão
para valorizar
depois cada palavra de afeto.
Complique o que é muito simples.
Conte uma piada sem rir antes.
Não chore para chantagear.
Cometa bobagens.
Ninguém lembra do que foi normal.
Que as suas lembranças
não sejam
o que ficou por dizer.
É preferível
a coragem da mentira
à covardia da verdade.”
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário